Publicado Facebook

Os novos aristocratas Agosto 2011

Julho 2026

Aristocracia define-se como um grupo de pessoas integradas numa camada social com poder político e económico, podendo, mas principalmente, não ter absolutamente nenhuma ligação à nobreza. Só por mera estupidez, ou desconhecimento, se faz essa ligação. A “aristocracia” existe hoje como existiu no período em que a monarquia liderava politicamente a área governativa de algumas nações, principalmente as europeias, mas com formas e conceitos diferentes. Não invalida que muitos aristocratas eram, nessa altura, oriundos da nobreza. Nos dias de hoje não faz sentido, pelo menos no que diz respeito a nós, portugueses. Qualquer analogia entre ambas é puro exercício de estupidez. Os aristocratas dos dias de hoje possuem privilégios em relação às outras classes sociais que são uma consequência direta do poderio económico. Os nomes nada trazem consigo que lhes dê acesso direto a essa classe. Mas essa classe, já que se transformaram em classe, pode não ter assim tanto poder financeiro. São detentores de bens que normalmente evidenciam entre o poder político, a forma mais segura de conseguir influenciar. As classes dominantes estão pejadas de políticos que têm uma apetência enorme para gerar património, tantas vezes ilícito, com essa finalidade. Apelidar alguém de “aristocrata falhado” pode ter a ver com a perda desse poder. No entanto, esse conceito tem pouco a ver com a atualidade, já que ninguém quer ser apelidado de “aristocrata”, muito menos “falhado”, cuja ligação a um passado recente nada de bom augura. O Estado Novo gerou famílias inteiras de aristocratas que se ligaram à indústria, à banca, aos seguros, enfim, às atividades que geravam dinheiro fácil e rápido. Os banqueiros nunca foram chamados de agiotas, no entanto alguns deles começaram com casas de penhores na baixa lisboeta e depressa abriram bancos. Quem quer ser tido como aristocrata? Ninguém, só mesmo quem não é! E neste caso há-os aí aos montes. Não falarei agora das formas de vestir e dos conceitos que as “marcas” geram em pessoas com caráter duvidoso, mas talvez dê a minha opinião a esse respeito numa próxima intervenção. Agora fico-me por aqui e que sirva a carapuça a quem aprouver, ou não… António Antonio Guimarães

António Guimarães