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O Regresso das Garras e a Ilusão da Liderança

Setembro 2026

A coisa está mal, mas está mesmo muito mal. Quem acompanha o pulsar da política nacional percebe que entrámos num ciclo perigoso, onde os ressabiados do PSD começam a levantar as garras, arrastando consigo as hostes do PS num jogo de espelhos que de credível tem muito pouco. O estilo não é novo; é uma cópia cinzenta e requentada de figuras proeminentes do passado, como Manuela Ferreira Leite ou Marques Mendes. E todos sabemos bem onde é que essas ideologias e pessoas foram parar. Apesar de a cópia ser fraca, a ameaça é real. As garras estão de fora e os ataques multiplicam-se nos mais diversos quadrantes. Há uma manifesta e desesperada vontade de proteger o líder, tentando a todo o custo evitar que caia sob o peso dos escândalos que asfixiam o Ministério da Administração Interna (MAI). Incapazes de se impor pelas vias da inteligência e do debate elevado, tanto o PSD como o PS optaram por uma estratégia de hipocrisia controlada, vendida ao eleitorado sob a forma de uma verdade absoluta. No centro deste turbilhão, a liderança falha por omissão. Passos Coelho — cuja sombra e intervenções continuam a pairar sobre o partido — não os consegue colocar na ordem. Pelo contrário, deixa-os estrebuchar, misturando-se em discursos pouco esclarecedores e dúbias quanto baste. Esta ambiguidade calculada parece ter um propósito claro: não fechar a porta caso o Chega venha mesmo a ganhar as eleições e André Ventura opte por desenhar um esquema inédito e imprevisível na política nacional. Este cenário é o pior sinal possível de uma liderança fraca. Ficou demonstrado que, apesar da resposta atempada e inteligente que a direita tem tentado dar à esquerda, os tempos que atravessamos são de uma exigência brutal. Enquanto a direita se enreda nas suas próprias fragilidades e táticas de sobrevivência, a esquerda reorganiza-se e arma-se de novo para o combate. O diagnóstico é claro: o PSD não tem o líder de que o país precisa para atravessar esta crise difícil e enfrentar um mundo estranhamente novo. O estigma da fraqueza continua lá, e a fatura dessa ausência de rumo será paga por todos nós.

António Guimarães