Legado de emoções
Novembro 2007
Agosto de 2007 Há uns tempos decidi que era tempo de vasculhar no baú da herança, o meu "legado familiar". Um monte de coisas inesquecíveis que dificilmente se despegarão de mim. Uma amiga, a Sofia, numa destas noites em que fomos beber um Porto à “Enoteca” e no meio da conversa, disse-me que sempre tinha tido a impressão que eu era rico e herdeiro de fortuna. Ri-me e retorqui que estava tão enganada agora como o estava há décadas atrás quando namoriscávamos. Não acreditou e recusou-se a ver-me de outra forma que não fosse como um rico herdeiro passível de fisgar. Brejeirice minha, claro, a ideia errada que fazemos das pessoas com quem convivemos é de facto interessante sobre muitos pontos de vista, um deles é o da vivência no quotidiano. É como construir castelos no ar. O meu baú despojado de ouros e ornamentos tem no entanto um valor incalculável.
António Guimarães