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A falta de clareza opinativa

Fevereiro 2026

A indignação é uma emoção difícil de aceitar. Quando nos sentimos indignados, muitas vezes ficamos presos a esse estado — perdemos clareza, o raciocínio inteligente e rápido e, por vezes, deixamo-nos levar por impulsos de vingança. Pode nem sempre ser de vingança violenta: pode ser algo mais subtil, como uma resposta rude, um bloqueio imediato, mas sempre uma atitude e não a passividade. Isto vê-se com frequência nas redes sociais. Há comentários que nos saltam à vista e, sem ler o contexto inteiro, julgamos e reagimos com choque e violência verbal. Mas quando se volta atrás e se lê a conversa toda, percebe-se que nenhuma das partes tinha toda a razão: as coisas são menos complexas do que a primeira impressão. Recentemente apaguei um comentário e bloqueei a pessoa, o comentário era insultuoso, inoportuno e provocatório — tenho várias centenas de bloqueios - e assim matei o mal pela raiz. Faço isso sobretudo e sempre com quem insulta ou insiste em provocar gratuitamente. Não gosto de entrar em grandes confrontos públicos. Acho que muitas discussões nas redes são uma perda de tempo e energia. Prefiro aceitar opiniões diferentes sem transformar tudo em batalha, e, se for necessário esclarecer algo, faço-o em privado. Esta é só uma reflexão pessoal sobre como a indignação nos afeta e sobre a escolha — muitas vezes simples — de não alimentar o conflito em público. Não são raras as vezes que digo às pessoas para relerem o que originou o comentário violento.

António Guimarães