Poemas

Sou o homem

1969

O objecto Das palavras Que no alvo Têm a sua meta É o corpo que sustento O nada que nada é Senão um homem De palavras incertas Alvo do contorno Mesmo ca dentro Onde se dissolve o ar Nada sobre nada Do mito as palavras Transformam Nada sobre nada Homem De palavras soltas Compridas e difíceis Canto é o corpo suado É a alma cansada Um nada sobre nada De aspecto secreto Invisível Duplo nas palavras Faço corpo E construo o homem que sou Objecto das palavras

António Guimarães