É para ti que falo
1970
Pelo conhecimento da cor dos teus olhos Declararia a todos os cantos que os teus olhos encantam Declarada a todos os cantos e recantos É do amor que o corpo sabe reconhecer que quero falar Do corpo que nesses trapos desenham a direção do vento É do poema construído nas horas em que as presenças Afundam os meus olhos nos teus As brancas mãos procuram umas perdidas na cidade É inteiro e verdadeiro o choro das aves ao te verem passar Com os dedos em conflito nada te impressiona Nem as paredes desenhadas Nem mesmo eu que procuro entre as gentes Um corpo como o teu Perdido
António Guimarães