Opinião

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Novembro 2026

Quando avaliamos uma situação unicamente pela negativa — como no caso em que o André Ventura pediu o adiamento da segunda volta por uma semana — corremos o risco de dar mais protagonismo à pessoa em questão no entanto se tivermos o cuidado de pôr nos pratos da balança também os aspectos positivos obteremos uma posição mais racional e até podemos nem sequer opinar. Mesmo que o pedido não faça sentido numa época em que pode ser tido como aproveitamento, analisá-lo em termos emocionais ou hostis só beneficia quem o fez, dá-lhe mais visibilidade. A meu ver há duas opções a considerar: PRIMEIRO - Aprofundar a análise pública: explicar, com factos, por que razão o pedido tem ou não fundamento. Esta abordagem vale a pena se houver desinformação significativa ou um público que valoriza esclarecimentos racionais ou intencionais. SEGUNDO - Optar pelo silêncio estratégico: não reagir publicamente para não lhe dar palco. Quando a proposta é oportunista e sem base, qualquer resposta tende a amplificá-la. O debate público duma proposta deste género pode confundir eleitores, alterar decisões, mas mais efetivamente o processo legal. Mas vai de certeza criar vantagem prática ao autor não dimensionada aos factos, amplificada. O público precisa de esclarecimentos factuais, mesmo que estejam distorcidos o que o simples comentário ajuda a ampliar. Silêncio se consideramos que a proposta é claramente oportunista e apenas busca atenção mediática. O caso da Argentina é paradigmático nestas questões, a polémica só tem trazido vantagens e votos a Milei.

António Guimarães