Quase real
1995
Quase real. A linguagem é perfeita Os sons são distintos São os teus passos São os teus sons Não olho, não vale a pena Sei que tás aí, ali Sei que não te esqueces que existo Mas há um toque Um toque que se esconde Entre os dedos entrelaçados na madeira do parapeito A varanda não te esconde É um toque subtil Quase imperceptível Mas real És tu que viajas no tempo Olhando o horizonte vagamente por cima de nós E até que do tempo Ressalte uma existência que nada fará Senão dizer-me que existes Assim será Não precisas dizer que estás Não precisas dizer que existes Não precisas de olhar para baixo Só precisas de ser.
António Guimarães