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A Presidência e as Eleições de 2026: uma visão monárquica (Dez 2025)

2025

No contexto das eleições presidenciais de 2026, e sempre no pressuposto que quem escreve é um monárquico, observo estas eleições com distância crítica. Mas não consigo deixar de notar a pobreza das propostas apresentadas.

Vivo nesta República e, nesse quadro, apraz-me dizer que o melhor que teremos é o fim de ciclo de Marcelo Rebelo de Sousa. Termina o seu segundo mandato e, felizmente, não pode recandidatar-se. Sai pela porta do cavalo: ridicularizou o nome de Portugal, foi medíocre na sua atuação e deixou na gaveta, por incapacidade, o seu projeto de eliminar a pobreza e retirar das ruas os sem-abrigo.

Os candidatos. Os nomes que se apresentam são Henrique Gouveia e Melo, André Ventura, Marques Mendes, João Cotrim de Figueiredo, António José Seguro, Catarina Martins, António Filipe e Manuel João Vieira. Qual deles o melhor? Henrique Gouveia e Melo surge como vencedor antecipado. Reconheço-lhe qualidades de comando, sobretudo na vacinação contra a COVID-19, mas não me sai da ideia a insurreição dos militares que se recusaram a sair numa corveta avariada. Depois disso, pouco mais se lhe conhece além de ter sido Chefe do Estado-Maior da Armada e de ter recusado ser Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas. Uma figura fraca, sem feitos relevantes ao nível das ideias e da liderança. Marques Mendes é envolto em situações mal esclarecidas. A sua forma de antecipar notícias sempre me pareceu uma troca de favores. O discurso é vago, ambíguo e desprovido de sentido de dever. “Unidade Nacional” e “Defesa da Democracia” são propostas ocas. A escolha de mandatários levanta dúvidas e a sua vida empresarial permanece envolta em silêncios. Uma fraca figura. André Ventura carrega acusações de xenofobia, racismo e populismo. Esclarece pouco e divide muito. João Cotrim de Figueiredo é talvez o mais adaptado às funções, mas ainda assim limitado. António José Seguro traz consigo os anticorpos da sua própria história política, nunca explicando bem como se deixou afastar por António Costa. Catarina Martins surge forçada, sem convicção, e já nem os bloquistas acreditam no projeto. António Filipe, candidato do PCP, talvez o mais correto e conhecedor. Mas carrega uma máquina gasta, sem ideias e sem liderança capaz. Manuel João Vieira apresenta-se em tom satírico, com propostas caricatas. A sua candidatura é a prova viva dos malefícios da República: quando o mais alto representante da Nação pode ser confundido com uma brincadeira, está tudo dito. A pobreza das propostas. Há quem defenda que estas eleições serão as mais renhidas de sempre. Eu acredito, mas apenas porque a mediocridade dos protagonistas é uniforme. Os melhores não são assim tão bons como parecem. A República já nos deu um excelente Presidente: Manuel de Arriaga. Depois dele, apenas Ramalho Eanes se destacou. O resto foi uma sucessão de maus presidentes. O custo da Presidência. É preciso ter em consideração que a Presidência custa mais de 20 milhões de euros por ano — cerca de 50 mil euros por dia. Marcelo dotou-se de mais de 12 assessores e 24 consultores. Cavaco Silva pode gabar-se de ter sido o pior chefe de Estado europeu e aquele que mais gastou, acima de qualquer casa real europeia. Em termos comparativos, a Casa Real Espanhola custa apenas 10 milhões de euros por ano. Ou seja, Portugal gasta o dobro em termos absolutos e muito mais em termos relativos. Conclusão Cada vez mais o modelo republicano se revela caduco e vazio de ideias.

Apraz-me refletir: será que Portugal não precisa de repensar não apenas quem escolhe como Presidente, mas também o próprio modelo de liderança que a República oferece?

António Guimarães