Esvanecem-se os azedumes
Junho 2015
Os ódios que se adquirem com o andar dos anos vão-se normalmente diluindo. Por vezes terminam num doce e inofensivo azedume que se revela num encolher de ombros.
Outras vezes numa frase que de dura pouco tem: "caguei para ele". Esta frase é usada invariavelmente para desculpar a impossibilidade física da vingança.
Vem isto a propósito dos ódios que se têm gerado "contra" certos políticos. São engraçados, quase todos impotentes do ponto de vista da vingança, a grande maioria despropositados.
Há tempos, após ou durante uma noitada daquelas à antiga, o fim da noite foi preenchido pelos comentários às atuações dos políticos, generalizados.
Um deles, um espoliado da ventura e na manifesta impossibilidade de concretizar as ameaças bélicas com que queria brindar os alvos, rematou dizendo: "caguei para eles".
E nisto afasta-se da mesa e dá um real peido, sonoro, acrescentando: só tenho pena que não tenha saído forte ao ponto de os acordar.
António Guimarães