O cancro
2012
Li ontem um texto de Helena Sacadura Cabral que me deitou abaixo. Falava em poucas linhas do cancro, da mãe e do filho Miguel.
Eu gosto de lê-la. É acutilante, incisiva, sem rodeios e não usa palavras de que não sabemos verdadeiramente o significado. Mas falar assim sobre o cancro do filho, meu deus, que coragem.
A minha irmã morreu de cancro e eu acompanhei-a a par e passo. A minha mãe morreu de cancro e eu ia quase todos os dias vê-la a Faro, e foram muitos anos. O Jorge, o meu querido amigo, morreu de cancro, estive com ele no dia em que morreu. A minha prima vai morrer de cancro.
Eu tenho medo do cancro e não tenho coragem para o abordar assim. Criei uma carapaça entre mim e o cancro que bem sei que é ténue, basta um estalar de dedos para ela se rasgar. Mas eu não consigo conviver com ele mesmo depois de ele ter rodado o filme debaixo dos meus queixos e durante tanto tempo.
Não sei se é deus que os leva, se são eles que vão ter com ele. Nem sei sequer para onde vão. Sei que quando se vão deixam a quem cá fica uma sensação de alívio indescritível.
Aquele sofrimento horrível terminou, enfim!!!
António Guimarães