Artigos em jornais

O bolivarianismo

2012

A tentativa de implantar "O bolivarianismo" como ideologia política e de funcionamento de um estado é justa, mas acarreta consigo algumas consequências de interpretação.

Para já, o cariz de "radical de esquerda" a roçar o comunismo pode trazer desde logo problemas estruturais às sociedades envolvidas. Seria lamentável.

De acordo com o que sei, ela baseia-se nas posições assumidas por um militar de nome Simón Bolívar que tinha a justiça social e a plena democracia como lema de acção.

A exemplo, na Venezuela a Justiça Social não é justa quando o poder faz uma nítida separação entre apoiantes e não apoiantes e faz até bandeira dessa separação.

A esmagadora maioria dos países da América Latina advoga-a e quer adoptá-la, mas não lhe toma o gosto porque ao poder só parte da teoria interessa. É o radicalismo acerbado a prevalecer, tanto do lado do sim como do não. O "Fascismo" sofria do mesmo mal.

A Venezuela assumiu-se como precursora e auto denominam-se "bolivarianos", República Bolivariana da Venezuela.

A "Carta de Jamaica", o Discurso de Angostura e o Manifesto de Cartágena, entre outros documentos que o advogam, são os documentos que impulsionaram alguns estados a seguirem a ideologia e a abertamente se designarem de "bolivarianos".

É, no fundo, um "movimento" e não uma teoria de regime.

Um dos lemas principais é o repúdio à intromissão estrangeira nas nações americanas e a negação do controlo da economia por entidades não estatais. Estão na primeira linha dos parâmetros a seguir, mas, no entanto, entre eles há não dominadores comuns.

A Proposta da "Carta de Jamaica" (salvo erro já que não a conheço) para a união dos países latino-americanos é a parte mais complicada da implementação da teoria bolivariana. Logo aí está um óbice e, à cabeça, o Brasil, ao regime bolivariano.

Estas teorias de regime têm sempre o enorme problema de carregarem consigo um rol de acções que impossibilita a união de facto.

António Guimarães