Artigos em jornais

Uma forma humilde de ser erudito

20 de Janeiro de 2011

Um “erudito” é uma pessoa com conhecimentos. A palavra, só por si, não limita tematicamente o conhecimento, amplia-o até, e não define a característica. É usual aplicá-la a pessoas com conhecimentos profundos em diversas matérias: da ciência à técnica, das línguas ao social ou da política à brejeirice. Não está parametrizado o tipo de conhecimento, se é que assim se lhe pode chamar.

Por norma, é hábito estas pessoas menosprezarem os que não sabem tanto quanto eles, apelidando-os de ignorantes. Salvo raras e honrosas exceções que têm representantes na intelectualidade, quando abordam o assunto do conhecimento fazem-no de forma arrogante e sistematicamente insultuosa, usando terminologia estranhamente despropositada, generalizando e vulgarizando o conhecimento — em suma, tornando-o pouco apetecível.

Provavelmente, uma das pessoas que conheço em Lagos com mais vastos conhecimentos sobre diversas matérias é um senhor que dá pelo nome de José Carlos Vasques, autor literário de escrita fácil e nada rebuscada, de quem nunca li uma frase de menosprezo, insultuosa ou de arrogância na sua sapiência, dirigida a quem sabe menos que ele. Li-o na net e em escritos jornalísticos, ensaios principalmente. Oiço-o pouco, provavelmente nem saberá quem sou, há muito que não tenho essa oportunidade. Um verdadeiro intelectual, a exemplo do que a sua carreira de vida nos dá.

Não faço a menor ideia se já terá sido homenageado pela edilidade e, a não ter sido, será uma homenagem merecida. Um hábito estúpido e insensato é esperar pela morte das pessoas para as homenagear: dar-lhes um nome de rua, uma medalha, publicar-lhes as memórias e sei lá mais o quê.

É um erudito de respeito, respeitado e que se fez respeitar. Lagos fica desde já homenageado por tê-lo como cidadão.

António Guimarães