Rating avassalador
Novembro 2011
Era bom que os analistas se informassem corretamente quando dão opinião relativamente às classificações dadas aos Estados Unidos pelas agências de rating. E era bom para não gerarem na opinião pública um sentimento de impunidade totalmente errado. O facciosismo das opiniões está latente na forma como abordam o assunto, raramente descrevendo o que leva essas agências a se pronunciar e a forma como agem internamente relativamente à parametrização das componentes de análise.
Logo à partida, a capacidade de regeneração das economias por parte dos países classificados é de crucial importância, estando os Estados Unidos numa posição de topo. Isto porque têm a capacidade de produzir produtos primários como nenhum outro país. Em segundo plano advém o facto de, em todos os Estados, os níveis de industrialização fazerem inveja a qualquer dos países europeus, excluindo, provavelmente, a Alemanha e, nalguns setores, a França. De resto, nenhum outro está à altura de rivalizar.
Ao lê-los e ouvi-los, ficamos com a sensação de que as agências são um antro de vigarice e os seus membros uns corruptos. Nada mais falso.
Relativamente a Portugal, retirando-se o facto de estar iminente a possibilidade de haver petróleo na costa — e aí sim, atingiríamos um rating consolador — nada mais ajuda a classificação. As pescas e agricultura foram totalmente destruídas pela mão do então Presidente Cavaco Silva e pelos seus governos. A indústria pesada foi sucessivamente fechada, tanto pela mão dos socialistas como dos sociais-democratas, numa união com a finalidade de fazer entrar no país dinheiro fresco mas efémero. Os serviços, finalmente, têm uma qualidade comparável aos do terceiro mundo.
Portanto, estávamos à espera de quê? Milagres? Não há!
Hoje há que repensar como e onde ir buscar a capacidade de regenerar o país. Mas para isso parece que só há uma solução. O problema é se essa solução passa por o povo ir para as ruas reivindicar. Não me parece a melhor solução, mas talvez a única viável perante a irredutibilidade dos políticos e pela forma como estão convencidos de que têm a solução.
Existe também um fator de crucial importância na nossa sociedade: a questão do emprego. Exemplos como o da Austrália, Nova Zelândia, Canadá e outros países não chegam cá à velocidade que deveriam, mas principalmente da forma como deveriam. Aos políticos portugueses cabe proteger os portugueses e, enquanto não perceberem isso, nada resultará nesse campo.
António Guimarães