Carta ao Primeiro Ministro via Facebook
Dezembro 2011
Caro e Exmo. Senhor Primeiro Ministro,
O meu propósito ao me dirigir a V. Exa. desta forma, nesta quadra e pelo motivo, tem a ver com a sua possibilidade de repor alguma justiça na vida dos algarvios. Vivo em Lagos e trabalho em Albufeira há muitos anos. Antes da Via do Infante existir fazia o percurso pela EN125. Tive a sorte de nunca ter tido um acidente, mas todos os dias passava por um ou mais. Levava cerca de hora e meia até ao meu local de trabalho.
Depois veio a Via do Infante e raramente via acidentes, talvez um ou dois por ano, e levava até ao meu local de trabalho cerca de meia hora, vá lá, três quartos de hora. Agora vieram as portagens e, por me ser incomportável, voltei à EN125. Nestes dias vi uma média de acidente e meio por dia e levo quase duas horas até chegar ao meu local de trabalho porque apanho três troços em obras com interrupção do trânsito (alternado).
Caro e Exmo. Sr. Primeiro Ministro, dou o benefício da dúvida, talvez porque acredito na sua boa vontade fruto da sua juventude, mas tudo me leva a crer que terei também de acreditar na sua irresponsabilidade ao advogar uma causa injusta.
Não queira ser o responsável por mais mortes nesta maldita estrada com 123 km. Não queira ser o responsável por uma derrota anunciada do que é justo, à custa da vitória da injustiça que se tornará avassaladora para muitas famílias de algarvios, alguns que lhe deram um voto de confiança.
Muito respeitosamente, peço-lhe que pondere no assunto. Peço-lhe que se desloque ao Algarve e que percorra a EN125 de ponta a ponta e que regresse ao ponto de partida pela Via do Infante.
Caro amigo, desejo-lhe sorte, mas sobretudo desejo-lhe que durma de consciência tranquila por ter dado oportunidade a mais famílias de gozarem os seus entes queridos.
Um abraço forte. Um bom Natal para si e para toda a sua família. Um abraço de Bom Ano, que é coisa que, como saberá, por diversas razões, nós, os algarvios, não teremos.
António Carlos Amado da Cunha Guimarães
António Guimarães