Artigos em jornais

Blogueirice

27 de Janeiro de 2011

Escolher o insulto gratuito nos escritos que por aqui vamos colocando não me parece a melhor forma de fazer passar a nossa opinião. A raiva em relação ao poder político pode ser demonstrada de forma agressiva e insultuosa, mas essa demonstração perde desde logo o efeito nas primeiras linhas de insulto e o que nos levou a escrever passa a segundo plano de imediato.

Já tive essa experiência: usei do insulto e também já li escritos insultuosos. Estes não fizeram qualquer tipo de efeito em mim, a não ser a repulsa. A primeira reação não é continuar a leitura, é o abandono. Normalmente, o teor do lamento e a razão da fúria são de louvar.

Em nenhum momento, aqui, somos obrigados a seguir os cânones da literatura ou regras pré-estabelecidas. Este é um espaço onde podemos muito bem optar pela via bloguista tradicional, usando de um confortável anonimato, agressivo até. Ou talvez não. Eu opto pelo meio termo. Mas certamente desapontaremos quem nos lê se formos usando indiscriminadamente o insulto.

Um escrito deve propor algo de novo e interessante, independentemente da forma que usamos para dizermos o que queremos. O insulto torna-se cansativo, a crítica constante torna-se aborrecida de seguir. Quando comentamos ou brincamos com as coisas da politiquice, podemos até desconhecer profundamente o assunto, mas não se pode desviar o assunto do fulcro.

Encontram-se hoje em dia alguns escritos por esses blogs fora que mais parecem um arquivo do fel intelectual dos autores do que o emanar das suas opiniões ou uma proposta válida relativamente a um problema ou situação. Eu já desisti de os ler. Prefiro a quietude das banalidades e as brincadeiras com piada que entram fundo e dão a entender que quem os escreve quer chegar bem longe, onde os outros não atingem sem uma ajudinha.

E cá se vai blogando, lendo e rindo alegremente.

António Guimarães