A solução que deixou de ser
2011
Reflexão sobre finanças locais
É notória a incapacidade dos “atores socialistas” lacobrigenses para pensar em soluções alternativas no que diz respeito às finanças locais. O aumento das taxas de utilização de serviços públicos era, de facto, uma das soluções que se perfilavam no horizonte e não seria de rejeitar de todo. Acontece que, perante a asfixia do comércio local e perante o impasse dos negócios no concelho — não é a abertura de unidades hoteleiras que resolve — esta foi a pior alternativa e aquela que menos convinha aos investidores que já têm negócios a funcionar.
Não me quero substituir ao poder político nos aspetos do pensamento, mas apetece-me dizer que nas empresas, quando é preciso apertar o cinto, a primeira atitude é reduzir os custos operacionais. Depois vem o aumento da produção e, consequentemente, o aumento da faturação por via da maior agressividade comercial. Parece-me que a solução imposta aos lacobrigenses foi colocar a carroça à frente dos bois.
É preciso rever os fatores que mais prejudicam o normal funcionamento da autarquia e poder-se-ia começar por uma análise profunda às empresas municipais que não produzem o expectável e geram custos que não estão no âmbito das suas funções. Depois, a própria autarquia devia privilegiar as empresas de cariz local para as suas ações correntes, em franco detrimento das outras. Este é um fator de controvérsia, mas é ao mesmo tempo uma alavanca ao crescimento local. Gera conflitos, claro, mas é preciso ter coragem para o fazer. Outra coisa não se espera da pessoa em quem nós depositámos confiança e os destinos de Lagos.
Os fatores de crescimento são muitos. No entanto, uma cabeça a pensar pensa pior do que em conjunto com outras. Quando nas empresas se contratam assessores, o primeiro pensamento de quem está de fora é para o “tacho”. Acontece que, na realidade, essa não é a finalidade da contratação e há muitos assessores que produzem um trabalho bastante meritório nas empresas, provocando um crescimento acentuado.
Os “núcleos duros” nas empresas, aquelas pessoas que fazem parte da elaboração de estratégias, são em todo o mundo usadas para solucionar problemas correntes. Lembro-me de uma empresa de Braga que, quando começou a ser pressionada pela concorrência, decidiu investir forte comprando as empresas que lhe faziam frente. Poderá não ter sido a solução mais correta, mas manteve as empresas que comprou e evitou a sua própria asfixia comercial. Afinal, havia lugar para todos, desde que a estratégia fosse essa mesma e não matar o negócio dos outros.
António Guimarães