Artigos em jornais

A nossa Vice-Presidenta!

09-2011

A vida política quando assumida com dignidade e com respeito por quem se dispõe a tal, independentemente de lhe ter sido dado o voto ou não, é uma virtude que toca a poucos. Eu respeito esse assumir de estatuto. Ser político honesto e consciente de um dever a cumprir em prol de uma comunidade, defendendo de forma intransigente os seus princípios e convicções é a forma mais correcta de se ser político, mas nem sempre é assim. Felizmente que há casos em que o principal factor, o que impera, é a honestidade, o respeito por quem vota. Admiro profundamente quem assume o dever de servir assim, a custo muitas vezes da sua privacidade, das suas ideias. Quantas vezes não têm que alterar posições em função das conveniências públicas, ainda que essas posições colidam com os seus princípios. Mais do que um dever, a lealdade pela comunidade. Não, não é para todos. Há pessoas na política que eu admiro, sobriamente, muitas vezes em silêncio respeitoso. Acredito no bom senso dessas pessoas, acredito profundamente na sua honestidade, acredito no seu sentido ético e acredito principalmente nas ideias que advogam. Ponderei bastante se deveria ou não escrever a cerca deste assunto. Foram vários os motivos que me impediram de o fazer mais cedo, mas o principal é porque acho que quando uma pessoa toma uma atitude que implica alteração na sua vida privada, em suma, na sua vida e essa alteração até pode implicar com os seus princípios, os seus amigos e os que a respeitam e gostam dela devem deixar que o recato seja o principal conselheiro. O ímpeto de dizer o que penso fez-me vir aqui manifestar-me desta forma em prol de uma pessoa que respeito, acredito e sinto que está a sair antes do seu tempo. É com um misto de compreensão e um pouco de desalento que me manifesto completamente surpreendido com a decisão de Joaquina Matos. Mas um turbilhão de pensamentos vêm-me à mente, e a compreensão impera, pelo que agradeço ter-me feito acreditar que na política há pessoas honestas, ainda que com convicções diferentes das minhas. Acredito profundamente que a vida política lacobrigense está mais pobre e lamento muito que a não tenhamos usufruído em cargos de outra dimensão.

António Guimarães