Artigos em jornais

Por Lagos Com Todos

17 de Fevereiro de 2010

É preciso ter o discernimento necessário para entender que quem não se quer vincular a uma linha de orientação partidária pode optar por seguir linhas apoiadas por diversos partidos. Tudo depende da análise política que cada um faz e, principalmente, das suas opções de vida — o fundamento principal da existência dos partidos. Chamar a isto vira-casacas é limitar a análise ao “seguidismo” partidário.

Opto sempre pela defesa das minhas ideias, independentemente dos apoios expressos pelos partidos. É claro que há uma linha política de que gosto mais e aí procuro ser coerente, não me impedindo, contudo, de pensar. Também não me importo muito com os comentários que por vezes fazem aqui, apelidando-me de vira-casacas e outros apupos. Não faz de todo o meu estilo, nem, muito menos, me preocupa ao ponto de retorquir no mesmo estilo. Apago-os.

É claro que me preocupam os insultos gratuitos, principalmente oriundos de pessoas limitadas, e aí faço questão de esclarecer no tempo certo, nos moldes adequados, mas temporalmente limitados. Daí para a frente voto ao esquecimento e passo a não dar a importância que gostariam que desse. Algumas vezes fico aborrecido porque julgo estar a lidar com pessoas, ainda que anonimamente, inteligentes e nesses casos afloro ao rosto um sorriso. Detesto trocar impressões com gente burra, nem perco muito do meu tempo com isso.

Vem isto a propósito dos comentários que tenho apagado, que dizem que eu virei a casaca quanto ao apoio, ou não, que tenho dado a Júlio Barroso e da “implicação” com o PSD e a sua liderança. O caso é que constatei um erro crasso na liderança laranja, disse-o a seu tempo, personalizei, tentei esclarecer, fizeram ouvidos moucos e, no entanto, eu adivinhei o que se iria passar. E advogo que ainda não acabou.

Quanto ao apoio expresso a Júlio Barroso, fico realmente constrangido com alguns comentários em moldes ofensivos. Podemos não concordar, aceito, mas é um facto incontestável que Lagos mudou radicalmente com esta presidência. Para melhor? Para pior? Não sei. A seu tempo veremos. Podemos não querer ver isso, podemos até não concordar, mas o que podemos fazer é uma análise limpa de preconceitos e então aí, sim, comentar negativamente os factos, nunca as suposições.

Procuro nas minhas análises nunca optar pelo “diz que disse”, como alguns fazem. Procuro muitas vezes calar-me quando não concordo com alguma coisa e, quando me calo, é porque não estou corretamente informado e não sei do que quero falar. Não tenho filiação partidária, não limito o meu raciocínio ao facto de ter que seguir determinada linha partidária. No entanto, acho que o PSD, desde a derrota de José Valentim, vem errando nas políticas e na forma como atua. Acho também que o seu líder não foi capaz de congregar à sua volta as pessoas e as ideias que poderiam fazer a diferença.

A liderança atual, tendo em consideração o discurso de posse a que tive acesso, mais não é que o encapotar da continuidade em virtude da impossibilidade legal. Eu gosto da cidade onde vivo, eu acho que qualquer lacobrigense gosta também. Os partidos não nos podem impedir de pensar.

Aceito que a contestação a esta minha ideia, por parte do “líder” laranja, se use dos mesmos argumentos que eu. No entanto, penso também que os mais recentes acontecimentos demonstram que aquela linha é errada e que se recusam a dar a oportunidade a uma linha diferente através de ações hostis ideologicamente.

Poderá optar-se pelo argumento da falta de credibilidade dos seus “cabeças”, aceito isso de forma pacífica. O que não aceito é que se queira continuar o que se provou estar fora do âmbito daquilo que os lacobrigenses querem. O PSD não pode, de forma alguma, fechar-se nos conceitos partidários sem abrir as portas aos cidadãos que não se revêm particularmente nas ideologias advogadas em meios muito restritos.

É preciso não esquecer que o PSD tem umas poucas centenas de militantes e não é essa ínfima parte dos cidadãos que pode decidir por Lagos.

António Guimarães