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Mais do mesmo

7 de Março de 2010

Cheguei a casa por volta das sete e meia depois de um dia enfiado numa sala com três computadores ligados aos hotéis. Logo ao subir as escadas deparei comigo a pensar se iria ligar o portátil ou se iria para o meu canto e ligava o desktop: num vejo umas coisas, o privado; no outro tenho forçosamente que trabalhar.

Fui à cozinha cheirar o que ia ao tacho. Hummm, uma comezaina que gosto: borrego com batatas, cenouras, nabo, ervilhas e muita cebola. Um espetáculo. Fui para a sala, acendi um cigarro e sentei-me. Ainda não tinha decidido o que fazer de noite, aborrecia-me voltar a ver o que tinha ficado por fazer.

Se ficar na sala, fico com a televisão e o computador portátil à frente e não presto atenção nem a uma coisa nem a outra. E ainda por cima, sempre de livro ao colo, a minha mulher vai comentando uma coisa e outra e dizendo que tenho que ler aquele livro. Ainda não se convenceu que não sou apreciador de romances, mas vai insistindo.

Num toque-toque quase suave chega o aviso de uma entrada a cobrar a minha atenção para lisura dos recém-chegados: são os amigos dos filhos que invadem a minha privacidade. De forma elegante, irrepreensível, vão cumprimentando e fazendo as perguntas sacramentais. Ficamos de novo no nosso isolamento fictício.

Com o tempo, habitua-se a ler, ver e falar, não quer usar o silêncio como arma de bem-estar. Não faz mal, chegará, enfim, a hora do bem-estar que entra de rompante mas já repleto da irritação de não fazer o que quero. Ora calmo, ora agitado, vou vendo um filme que já vi dezenas de vezes, mas mesmo assim faz-me vibrar.

Acaba o filme e ligo o portátil. São quatro horas da manhã e já estou saturado de sossego, apetece-me a agitação dos comentários estúpidos que o Mak me fornece. Desato num sorriso meio irritado. O kromo com problemas de afirmação contra-ataca naquele seu jeito de pessoa parca de recursos intelectuais. Não leio até ao fim, não me apetece rir.

Parto para outra, vejo os mails dos amigos e tenho ali quase uma hora de relaxamento. São cinco da manhã e está na hora sacr

António Guimarães