Artigos em jornais

Ele há blogs que...

8 de Março de 2010

Há dois ou três blogs que se tornaram imprescindíveis nos meus acessos netianos e, por vezes, leio neles coisas que se traduzem em sorriso de concordância. Li uma crítica às formas de escrita que me pareceu inteligente e reveladora: a insistência numa escrita correta não é, por certo, a forma que mais arrebata leitores, podendo até revelar alguma insuficiência nos seus defensores.

Eu defendo que devemos escrever de forma a que quem nos lê se sinta cativado. Não que eu o saiba fazer, mas tento. Lembro-me de uma conversa havida num daqueles jantares de muita gente, onde questionávamos se o facto de escrever corretamente, com todos os toques e truques inerentes a uma escrita que supostamente não envergonha os utilizadores da língua portuguesa — que não a maltrate nos planos semântico, lexical ou morfológico — será, de facto, escrever bem segundo os “cânones” da língua portuguesa. É uma afirmação e não uma questão.

Para mim é líquido que prefiro ler algo que entenda. Pouco me diz ler algo muito bem arrumadinho mas que me passa literalmente ao lado. Poderei até ser tosco e incapaz de escrever um parágrafo simples com uma sintaxe aceitável, mas sei ler e sei entender diversas tendências da literatura, até a blogueira, e sei também diferenciar o que para mim é bom e mau.

Finalmente, há também blogs que vou abandonando a visita por serem demasiado tenebrosos e vazios de conteúdo interessante, com evidente tendência para um execrável puritanismo que os transforma numa enfastiante visita.

António Guimarães