Artigos em jornais

Passadeira vermelha

14 de Dezembro de 2009

Hoje importa analisar para solucionar, sem dúvida a melhor via para resolver alguns dos graves problemas que afetam a nossa sociedade. Quer ao nível nacional — e deixo isso aos peritos — quer ao nível local, e aí vou opinar, muita coisa está ainda por analisar, muita também por esclarecer.

Seguirei a corrente da superficialidade na certeza de que em política as derrotas têm rosto. Aqui em Lagos há um responsável pela monumental derrota do PSD nas últimas eleições e não foge à regra, já que numa análise muito superficial chegamos à conclusão que tudo não passou de uma manifesta incapacidade de trabalhar em grupo, aliada à prepotência de quem não se deu ao trabalho de ouvir vozes mais experientes e ponderadas que a sua própria.

Quanto às ilações, espanta-me que há uns tempos se tenha exigido a demissão política do anterior líder local laranja, de modo a abrir espaço a feitos que se julgava essenciais à subida ao poder, e agora se faça “tábua rasa” dessa posição. Reconheço que não é fácil assumir falhas, no entanto tornava muito mais fácil reconhecê-las se cedesse o espaço a quem está com capacidade para juntar forças no sentido de conglomerar ideias num só sentido, ainda que elas venham de setores da sociedade muito distintos, de ideologias distintas, também de formas de estar.

Há uns tempos, numa conversa informal, tive a oportunidade de referir que a sociedade lacobrigense necessitava de um espaço político em que os jovens se sentissem representados, não só pelas idades dos intervenientes mas, principalmente, pelas ideias. Esse espaço precisava de achar a fórmula de lhes falar aos interesses, fazendo-os ver que não é cruzando os braços que se viam representados.

Júlio Barroso esteve lá muito perto e o resultado desse feito foi confirmado nos resultados eleitorais e na percentagem de votos nas mesas onde há novos inscritos. Incrível como não anteciparam essa possibilidade. Falhou na continuidade e na arrogância, justificada, do assumir da vitória.

A percentagem de apoiantes do PS que poderiam estar indispostos com o partido é de tal modo diminuta que não valeria a pena gastar energias tentando transferir esses votos, até porque eles não se manifestaram importantes, nem nunca foram. Esse era um dado adquirido. No entanto, o PSD concentrou aí as suas energias, provocando o riso nas hostes rosa e fazendo com que os observadores se interrogassem acerca da lucidez de quem dirigia a campanha laranja.

Votar no PSD ou no PS é já uma constante. Transferir esses votos para os partidos mais pequenos é uma tarefa difícil, mas não impossível. Daí que seja essencial preservar a faixa apoiante e cativar os novos votantes, bem como aqueles que são considerados os eternos indecisos. Ambos os partidos maioritários têm em mão essa tarefa.

É lamentável que não haja a perspicácia para assumir que é preciso ser diferente. Quando se pretende ganhar eleições à custa do mal dos outros e não à custa dos seus próprios méritos, há que ter em atenção que o tiro pode sair pela culatra — como aconteceu quando José Valentim ganhou a presidência ao PS e a Barroso quando destronou Valentim.

São várias as razões que me fazem pensar que Nuno Marques está a abrir a porta do cavalo, não vendo sequer que ainda tem a passadeira estendida.

António Guimarães