Artigos em jornais

Qual mentiroso! É Natal, é dia de festas absurdas!

24 de Dezembro de 2008

Estes dias de festas, do Natal e do Ano Novo, aborrecem-me por me obrigarem a falar com gente que não me diz nada. Como não quero ser deseducado, lá vou fazendo um sorriso constrangido e ouvindo baboseira atrás de baboseira.

Estava no supermercado, às voltas com uma banca de couves ressequidas e estupidamente malcheirosas, qual traque qual carapuça, quando nisto sou abordado por um fulano que me vê o ano inteiro e nunca troca uma sílaba comigo, nem à merda me manda. Deseja-me um bom Natal e um Ano Novo cheio de felicidades, ao que eu aproveito para, em palavras silenciosas, não retribuir apesar de agradecer.

Fala da crise e das suas dificuldades com a magra reforma que recebe. Deve ser para rir: um cabrão que foi expulso do banco por conduta duvidosa, com uma indemnização choruda e direito a reforma. Eu nem lhe respondo, mas mostro o meu mal-estar perante a mentira descarada e por continuar estupefacto com a lata do fulano.

Há tipos para quem a máxima do NATAL ser todo o ano não quer, mesmo, dizer nada. Que raio ter que, no NATAL, não poder mandar bardamerda esta gente.

António Guimarães