Blogando sem sentido!!!
28 de Dezembro de 2008
Isto de andar blogando, quer lendo quer escrevendo, é fixe. Hoje veio aqui a casa um amigo meu, bom conversador, e o tema da conversa versou os blogs. Em abono da verdade, não é menos usual que o façamos, já que ele tem um blog e eu também. Ando nisto já lá vão uns anos e ele é “newbie”, apesar de ter feito muita intervenção nos jornais regionais lá para as zonas sotavento.
Eu, cá por mim, não me sinto nem um pouco influenciado pelo que leio e muito menos pelo que escrevo. Mas será que deveria? Nunca tive essa certeza! E também nunca perdi muito tempo com esse tipo de preocupações. É claro que há blogues que deixei de visitar porque versavam temas desinteressantes e também porque gosto de saber o nome das pessoas que leio e, mais ainda, de “lhes saber a cara”. Assim, leio uma porção de blogues interessantes onde vou comentando a meu bel-prazer.
Mas a conversa aqui em casa avançou para a intelectualidade e para o que sente quem escreve, qual o grau de intelectualidade que assume e onde se julga posicionar. Acho piada à franqueza de ideias que podemos colocar numa conversa a dois, entre amigos despreocupados e pouco atreitos a poleiros que não sejam confortáveis.
Ele afirma e defende que hoje em dia há quem pense que os intelectuais que não intervêm em blog não o são efetivamente. No seu mais íntimo sentimento, normalmente, afirma ele, eles avançam para abrir um blog para se sentir melhor. Será que eu deveria ter dito: “para se sentirem mais modernos, mais atuais, mais ‘in’”? Mas isso diria eu, não o disse ele. Bom, tanto faz. O que interessa é que há muita gente que se julga intelectual só porque assina escritos num blog.
O meu amigo referiu-se efetivamente a um fulano da nossa praça, a um blog, que o faz de forma assídua e estupidamente ambígua e assustadoramente impessoal. Há quem escreva com o nítido propósito de que ninguém entenda nada do que está lendo, para que assim possa menosprezar o entendimento e se auto-desculpar pela sua falta de capacidade de comunicar de forma razoavelmente percetível.
Dizia, ou antes, diz o meu amigo, defende, que o é efetivamente, que o tal fulano até usa o chapéu a condizer e tudo. Chapéu esse que não lhe serve para tapar o sol ou para cobrir do frio, serve-lhe para disfarçar a sua incapacidade de comunicar, apesar de saber que tem formas à sua disposição para o fazer de forma magistral.
Enfim, uma barrigada de rir ao ler alguns dos escritos que fomos filtrando. Porque não fazer umas fotos, ainda que mázitas, e dizemos ao mundo da única forma que sabemos que queremos estar — e que estamos!
António Guimarães