Artigos em jornais

Por hoje ser domingo, estupendo, aliás, aqui vai disto!

Setembro de 2007

Hoje, quando vinha da praia, decidi — eu e não só — que uma cervejinha àquela hora calhava que nem ginjas e lá fomos ao Baía molhar a goela. A páginas tantas, no meio da conversa, tive um daqueles arremessos de déjà vu que até me arrepiou. Fez-me lembrar um episódio do tempo de estudante em Lisboa, em que um amigo, perdidamente apaixonado, decidiu que a vida não tinha qualquer sentido sem umas cervejolas e, às onze da manhã, arrastou o pessoal que estava com ele para uma cervejaria que havia ali para os lados de Santos.

Zumba, apanhámos uma bebedeira monumental e acabámos na esquadra de Algés a telefonar para casa a pedir ajuda. Fomos de cana. Por motivos que me ultrapassavam na altura — e agora também — a namorada não compareceu ao chamado e nem com os inevitáveis pedidos de desculpa e declarações de amor eterno ela se comoveu. O namoro acabou ali, naquele dia de bebedeira monumental. Para sorte do meu amigo, casou depois com uma fantástica mulher que o adora e ainda hoje, passados mais de trinta anos, são felizes.

Claro que eu hoje não me embebedei, mas por ser domingo e, consequentemente, amanhã segunda, apetecia-me apanhar um “tachadão” que me pusesse a dormir até amanhã à hora de não ir trabalhar.

Hoje dizia-me uma amiga que leu um post antigo: “… devo dizer-te que já me ri hoje pelo dia todo... e este texto... bem... tá divinal! Eu sou mulher e sei que às vezes conseguimos ser bem chatas, este assunto dava pano pra mangas até dizer chega, por isso não me vou alongar... chega tu a casa e beija-a, dança com ela mesmo sem música... o meu homem chega todos os dias tarde a casa, cansado do trabalho, todo lixado, faz isso comigo... e resulta!”

Achei este comentário soberbo do ponto de vista da relação matrimonial. Eu, Ana Marta, vou passar a fazer isso. Vou continuar a chegar a casa às mesmas horas, mas de hoje, amanhã, em diante vou pegar nela ao colo e dar um pé de dança, um beijo, dois apalpões naquele rabo delicioso e, zumba, passo a chegar mais cedo.

António Guimarães