Artigos em jornais

As portas que Paulo fechou

Março de 2007

Ele há coisas espantosas que nos fazem pensar se realmente aquilo a que estamos a assistir é de facto verdade. Esta novela, fabricada por Portas protagonizando um assalto ao seu próprio partido, assume um papel de relevo no plano nacional pelo ridículo da situação e pela falta de bom senso dos elementos participantes. Todos do CDS, tem piada. Todos do partido que encenou as maiores ridicularias a que podemos assistir nos passados governos da direita.

Retirarei deste rol a D. Maria José, porque penso que ela foi apanhada desprevenida, e também o Sr. Ribeiro e Castro, que penso ter estado de boa fé e convencido que iria perder a presidência para alguém com capacidade para tal.

Não vou defender ninguém e também não quero acusar o pobre diabo do Paulo Portas. Ele perdeu, não soube digerir a derrota e julgou que o País precisa de um “malfeitor” e “mau carácter” para ajudar a sair da crise. Palavras ditas pelo próprio aos microfones do Rádio Clube Português.

Paulo Portas fez o que não se deve fazer em jornalismo: ultrapassou inúmeras vezes a barreira do bom-senso e da decência, não foi eticamente correto, quase sempre andou para além da linha do admissível, entrou porta adentro na vida pessoal de muita gente, incomodou de forma ordinária e mal-educada.

Durão Barroso escolheu para ministro da Defesa uma escolha infeliz e não o soube fazer pagar a fatura, não o nomeando Ministro de Estado e da Defesa. Os deputados na altura, socialistas e não só, deviam ter colocado em causa a dignidade da pessoa para aquele cargo e aí travariam logo o fulano. Paulo Portas não preenchia os requisitos necessários para ser ministro, muito menos preenche para ser membro de um partido qualquer.

É uma daquelas nódoas que às vezes nos aparecem na roupa e que nos obrigam a deitar fora a peça. Renitentes, incómodas, são raras, mas acontecem. Com Portas é isso mesmo: uma peça destas aparece de séculos a séculos, mas este apareceu no nosso século.

Quanto ao caso “Moderna”, penso que alguma coisa estará por esclarecer no papel desempenhado por Paulo Portas. Diz o ditado que onde há fumo, há fogo.

Quanto ao CDS-PP, só tem a ganhar com o afastamento deste homem. O partido precisa de se libertar de figuras que, em vez de acrescentarem valor, se tornam um peso e um entrave à sua credibilidade.

António Guimarães