Ainda a Poesia!
Setembro de 2007
Ao longo dos anos dediquei o meu espaço de leitura às mais diversas e díspares formas de literatura e estilos. Li de tudo. Se bem me recordo, nos anos setenta emborquei com todos os clássicos americanos, isto na primeira metade, para na segunda engolir com os russos. Entretanto, colecionei os famosos livros RTP entremeando com as cowboyadas de bolso. Era a sede de ler, fosse o que fosse.
Lembram-se daqueles livros pretos que tinham um vampiro no topo? Li-os e tenho-os todos. Quando acabava um livro olhava para a prateleira do escritório do meu pai e escolhia outro. Eram milhares de livros, dizia ele, e eu acredito.
Depois, nos idos de 80, decidi que aquela leitura já não me inspirava e acabei por dedicar-me a leituras mais “softs”: História da Europa e principalmente a 2ª Guerra Mundial. Li tudo o que havia em casa, desde o romance à análise militar mais técnica que se possa imaginar. Eu li tudo, até romances nitidamente inventados. Chegava a pegar num livro e lê-lo durante toda a noite.
Por ter decidido que, a par da leitura, dedicaria algum tempo a ler críticas, fui progressivamente abandonando estes estilos e dediquei-me de alma e coração aos livros de compilação dos artigos normalmente publicados em jornais. Fui e sou “fan” dos espanhóis e sul-americanos. Acho que são escritores que dão tudo e muitas vezes nem pensam nas consequências dramáticas que tem para as suas vidas uma frase mal colocada ou uma palavra que sai no meio da inflamação do pensamento. Apaixonei-me por esta escrita e tenho um profundo sentimento de ciúme por não conseguir escrever como eles. Com alma. Com o coração. Com garra. Com amor pela Pátria.
Quase me apetece nomear dois ou três que até estão aqui representados na minha pequena estante, mas ao mesmo tempo penso que tremenda injustiça seria esquecer aqueles que efetivamente não me lembro que li.
No fim deste tempo era o advento da internet, era o advento da informação atempada e selecionada por nós. Era meados dos anos 90, o boom da internet. Hoje em dia dou por mim a imprimir o que quero ler e a esquecer que nas livrarias se compra leitura belíssima.
Abracei um projeto com um amigo proprietário de um jornal que passa por escrever um artigo sobre blogs todas as semanas. Tenho que os ler e ir vendo. Tenho lido coisas fabulosas no aspeto da intervenção social, da política, da técnica, da poesia e do romance. Tenho lido muita porcaria também e aprendi a filtrar os bons sem ter que ir ver o que escrevem.
Um estilo, não sei porquê, tem-me acompanhado ao longo destes anos: a Poesia. Agora, fruto de uma investigação que estou realizando acerca do poeta lacobrigense Vieira Calado, vem-se tornando mais forte dia após dia e não se compadece até com horários noturnos.
Há um tremendo espaço entre estas épocas e um “vou ali e já venho” nos poemas que li. Duas referências nas minhas preferências: Sophia e Eugénio, duas constantes, efetivamente. Vamos a ver no que dá!
António Guimarães