Os Plagiadores da Blogoesfera levam a sério o que até parece brincadeira
2005
“Blogame mucho”
À noite, quando as luzes se apagam, os sons sobressaem e as sombras assustam, ativam-se os neurónios pensadores e as imagens parecem um filme. Tanta coisa que nos vem à memória que até por vezes as sombras já não assustam tanto. São mais as pessoas e as reações.
Vem isto a propósito de me ter lembrado, durante a madrugada, das perguntas de algumas pessoas relativamente ao blog makejeite, onde agora me vou divertindo e escrevendo sem me importar muito com as formas e com os conteúdos. Já me perguntaram o que pretendo com o blog, como se fosse essencial haver um objetivo ou até mesmo um motivo que nos leve a iniciar um blog.
Um blog é um espaço netiano de reflexão, onde os conceitos de liberdade editorial se projetam a horizontes impensáveis num espaço como o Canallagos, cuja seriedade, idoneidade e rigor são mais importantes do que num blog. Num serviço que pretende ser de informação, os erros editoriais e de análise são mais graves. Num blog, nem a linguagem respeita as normas. No entanto, nada disto é lei. Não temos que seguir por aqui obrigatoriamente.
Principalmente nos anos de 2003 e 2004 nasceram milhares de blogs, a ponto de ter nascido uma nova palavra na língua corrente: a blogoesfera. Mais do que isso, nasceu uma nova forma de comunicar. Não pretendo abordar o assunto no aspeto técnico nem social, por várias razões, mas a principal é por não perceber completamente o que é a blogoesfera. Ainda não estou plenamente dentro do assunto, e por isso chatearam-me as considerações feitas nalguns núcleos de opinião acerca do nascimento do MAKEJEITE. Fiquei dececionado com algumas considerações. Que raio de perguntas se fizeram, que raio de observações se teceram acerca daquilo. Até se espezinharam pessoas.
Então, para se ter um blog é preciso ter um motivo? Não é possível, não é aceitável que o blog surja sem razão nenhuma em especial, salvo o prazer de comunicar, brincar, passar o tempo? Isto leva-me a perguntar se, para se ter um blog, é preciso um motivo prévio ou se, dando-se início a um blog, mais e mais motivos para o continuar vão surgindo. Eu não sei responder, mas também não vou perder muito tempo a pensar numa resposta. Outras coisas me preocupam.
Há dias, este órgão (Canallagos) publicou um artigo em que o conteúdo e alguns termos utilizados me fizeram sentir atingido, acusado de plágio. Respondo que não plagiei artigo de ninguém. Terei usado expressões de outros, que rebusquei aqui e ali pela net, por reproduzirem exatamente o que penso do assunto em causa. Agora, se o crítico “opinador” se sentiu atingido com o conteúdo do meu artigo, lamento, mas não era intenção debruçar-me sobre a mesquinhez local. Estava a falar de situações verdadeiramente importantes e de âmbito nacional.
Eu nunca andei a apontar os pontos fracos dos outros para realçar os meus pontos fortes ou ocultar os fracos. Porque também não gostaria que fizessem isso comigo. E não gostei. Mas não gostei mesmo.
E vou continuar a escrever em blogs, live-journals ou noutros sítios. E escreverei como escrevo sempre. Como sei, simplesmente.
António Guimarães