Artigos em jornais

Os nomes do PS

29 de Janeiro de 2002

Esperei pelo conhecimento dos eventuais nomes que integram a lista do PS para me debruçar sobre este assunto, ainda que superficialmente e antes mesmo de serem divulgados. Isto foi propositado. Sabe-se que não tem sido muito fácil, para o PS, a elaboração da lista dos propostos algarvios. Muitas reuniões aconteceram, denotando algum mal-estar nas hostes rosa, mas principalmente muita indecisão.

Sabe-se também que, apesar de ter insistido bastante, Carlos Matos nem aparece como suplente, talvez fruto da pressão que fez e da ameaça de constituir-se como uma força de “bloqueio”. É notória a sua posição de muito pouca força, fruto talvez de uma história pouco rica. Seja o que for que aconteça, a vitória do PSD irá por certo fazer uma outra travessia no deserto, desta feita com fim imprevisível, já que os socialistas lacobrigenses não lhe desculparão o inconsequente atrevimento de hostilizar as cúpulas.

Carlos Matos pretendia comparar-se a Jamila Madeira, que tem consigo a força de ser líder da Juventude Socialista e filha de um “histórico”. Factos só por si insuficientes para aparecer nos três primeiros lugares da lista, consequentemente com acesso direto ao hemiciclo. Mas a jovem socialista já disse que vai pegar de novo na lei do aborto. Além disso, foi dos deputados que não estiveram a dormir na última legislatura, demonstrando ao longo destes anos que a política não é para si uma solução de vida. Está lá por direito próprio e sabe impor-se pela competência, não tendo defraudado as expectativas de quem nela votou. Portanto, a darem-lhe o primeiro lugar só dignificariam o resto da lista, o que por certo não acontecerá.

Mas Carlos Matos não andou sozinho a fazer força para que o escolhessem. Elisabete Azevedo tem andado numa roda viva a angariar apoios, até mesmo onde eles não existem. Jovita Ladeira, Coelho e outros movimentam-se para conseguir um lugarito: uns para continuar, outros para conseguir o tal “job”.

A ter como certo o que o PS decidiu numa reunião ajantarada lá para os lados de Vilamoura — isto é, que as listas tinham que ser renovadas e que não deviam integrar nomes de “camaradas” derrotados nas autárquicas — teremos certamente grandes surpresas hoje. E eu dou-lhes razão: então se não conseguiram levar as populações locais a votar em si, como é que agora vão ajudar a inverter a tendência para uma nova derrota?

Cá por mim, dos nomes socialistas algarvios da anterior legislatura, só voto em Jamila Madeira. De resto, que venham novos.

Nota: A resposta aos últimos e-mails, onde vários leitores se questionam, entre outras coisas, qual a minha cor e porquê agora “tanto artigo”, segue amanhã. Acreditem que a resposta não tem sido fácil. Entretanto prefiro que me enviem os e-mails para aqui: aguimas@mail.telepac.pt

António Guimarães