On-line, não obrigado!
Dezembro 2002
Com recurso a um "software" de recolha de dados ligado a cerca de mil computadores de utilizadores, passa a ser possível medir o uso da Internet em Portugal. Este sistema identificará o percurso realizado por um cibernauta quando navega, proporcionando dados que serão posteriormente complementados com o resultado de um inquérito telefónico.
Este sistema permitirá também às empresas que apostam na Internet ter acesso a informação detalhada sobre a atividade dos computadores ligados ao painel, tal como: páginas consultadas, imagens vistas, objetos, tempos de permanência, páginas guardadas e downloads.
Mas importa saber que benefícios terão os utilizadores e aqueles que têm negócios ligados à Internet com esta nova possibilidade de informação. Entre eles:
Saber com exatidão quais as preferências dos internautas, até agora rodeadas de imprecisões.
Ter uma perceção clara dos hábitos dos utilizadores, tornando a informação estatística mais credível.
Segundo as últimas estatísticas, cada vez mais lares portugueses estão equipados com computador pessoal e o acesso à Internet registou forte crescimento nos últimos cinco anos. Mas é também verdade que os portugueses não querem nada com compras on-line e muito menos admitir que navegam em determinado número de sites. Consequentemente, as apostas em publicidade continuam nulas.
Vários estudos já foram realizados em Portugal, mas nenhum concretizou dados ou apontou soluções. Sabe-se que os meios universitários realizam compras on-line, preferencialmente de livros, CD’s e DVD’s. Mas o grosso dos internautas receia a segurança anunciada, preferindo manter-se de fora e optar por navegar “à balda”, obtendo informação, conversando em “chat” e utilizando o correio eletrónico.
Curiosamente, no aspeto da segurança on-line, Portugal é um dos países mais avançados tecnologicamente nos meios de pagamento. A Sociedade Interbancária de Serviços (SIBS) e a UNICRE lançaram o MBNet, uma forma de pagamento associada a um cartão de débito, ligado a qualquer banco, método internacionalmente reconhecido como seguríssimo e com níveis de segurança elevadíssimos.
A penetração do computador e da Internet nos lares portugueses é, indubitavelmente, uma realidade. Mas o comércio eletrónico existente em Portugal é praticamente nulo. Provavelmente é num contexto mais vasto que se torna necessário analisar os hábitos dos internautas portugueses. Os portugueses provaram que não basta dizer que é seguro navegar, é preciso provar que o é!
António Guimarães