A Internet dos Portugueses
Agosto 2002
Em Maio de 2002, segundo dados divulgados pela Marktest, a Internet foi usada por 1,1 milhões de pessoas, o que representa cerca de 74,8% dos utilizadores já referenciados. Apesar do abrandamento no número de novos utilizadores, os números agora divulgados — numa análise superficial — podem indicar que se está a assistir à fidelização dos utilizadores a determinados conteúdos em diversos campos de interesse. No entanto, não existem dados concretos que permitam conhecer melhor as preferências dos internautas.
Os 342 mil portugueses que utilizam a Internet diariamente, correspondendo a 19% dos utilizadores existentes em Portugal, permitem já algumas análises interessantes:
Foram vistas 579 milhões de páginas em Maio de 2002.
Os portugueses visitaram em média 18,7 milhões de páginas por dia.
São sobretudo os homens que navegam regularmente na Internet, a partir de casa ou do escritório, embora com tempos de utilização curtos. Segundo a Marktest, estes têm idades entre os 15 e os 44 anos (mais de 70%).
A maior concentração diária de utilizadores dá-se às 22h30. Os sites mais populares da manhã continuam a ser os ligados aos “média”.
A maior concentração de utilizadores está em Lisboa, Porto e litoral. A província interior apresenta níveis muito baixos de utilização, facto que poderá estar ligado ao nível médio de rendimentos dos utilizadores e à falta de investimentos ousados nesta área por parte das entidades responsáveis.
O “boom” da Internet em Portugal deu-se a partir de 1999, com a chegada ao mercado de operadores que ofereciam pacotes completos: espaço para páginas, várias caixas de correio eletrónico, pagando apenas o custo da chamada telefónica. Nessa altura tudo indicava que o crescimento seria imparável, mas as apostas limitaram-se aos grandes centros, Lisboa e Porto.
Tudo indica que a fase de estagnação começou. Esperemos que com ela cheguem também melhores conteúdos nacionais e algum inconformismo por parte de entidades regionais que apregoam interesse na Internet mas depois rapidamente esquecem a sua existência.
António Guimarães