Artigos em jornais

Março cada vez mais perto

2001

28 de Janeiro de 2001

Decorreu no CCB um debate sobre a economia nacional, organizado entre outros pelo Diário Digital. Durão Barroso e Ferro Rodrigues tiveram aqui oportunidade de colocar à apreciação as suas ideias sobre o que querem para o País neste campo. Não assisti, mas interessou-me saber o que por lá se passou.

Não me espantou que, na generalidade dos artigos que li, Ferro Rodrigues aparecesse como a pessoa menos preparada para relançar a economia portuguesa. Os dois homens que estão na linha da frente para ocupar o lugar de Primeiro-Ministro em Março próximo não podem deixar de analisar as conjunturas apresentadas pelo Banco de Portugal e pelo Ministério das Finanças. Para quem as leu, fica a certeza de que o abrandamento da economia portuguesa em 2001 foi um facto e que para 2002 estas duas entidades pouco auguram de bom.

Acompanhei também, mas agora “on-line”, a Convenção Nacional do PS — refira-se que foi um excelente trabalho dos “webmasters” do PS — o que reforçou a minha opinião sobre o “mais do mesmo” que o PS tem para oferecer a quem ainda não decidiu onde votar.

Quanto ao debate no CCB: “Sem espanto nem falta de rigor, o discurso do líder do PSD foi mais conciso, claro e direto ao que os portugueses desejam saber sobre o seu futuro.” Atrevo-me a reproduzir as palavras de Luís Delgado, já que me parece também que Durão Barroso se vai mostrando cada vez mais seguro em campos onde antes patinava e deixava para outros o protagonismo.

Durão Barroso aparece cada vez mais assumindo uma postura de competência e segurança, mostrando que os dossiers mais frágeis do governo de Guterres, com ele, podem ter solução, enquanto Ferro Rodrigues os evita. Ferro Rodrigues continua na linha de Guterres, mouco aos avisos que os portugueses vão fazendo, não sendo específico em matérias críticas como a economia e numa clara posição de pouca segurança, denotando até um certo alheamento em relação a uma realidade que até camaradas seus denunciam.

Em minha opinião, não chega de bota abaixo porque não está aí a questão. É preciso botar abaixo como uma das formas de realinhar Portugal com o resto da Europa. Já chega de tanta disparidade entre nós e o resto dos países da Comunidade Europeia.

Ferro Rodrigues, nas intervenções que fez ultimamente, mostra grandes dificuldades em passar a ideia de segurança nas suas propostas. Parece até que nem acredita no que diz — não sei se por insegurança ou por inexperiência neste novo cargo — mas assim não vai conseguir que Março lhe sorria.

António Guimarães