Artigos em jornais

Lagos vai ganhar

Junho 2001

Várias pessoas têm-me abordado por e-mail, questionando as razões que me levam a não escrever mais sobre os políticos locais e regionais. Penso que não é bem assim: no âmbito estritamente jornalístico temos tratado o assunto, ficando essa área reservada a quem sabe fazê-lo — os jornalistas que colaboram com o site. Em abono da verdade, não é o meu caso.

Já tive oportunidade de falar com alguns políticos regionais e também com os dois candidatos que surgem com maiores hipóteses de ganhar a Câmara de Lagos. José Valentim, que me recebeu simpaticamente numa conversa informal, explicou diversas situações que, em meu entender, estavam a ser mal geridas pela autarquia. Confirmou-se aquilo que sempre pensei: é possuidor de capacidades de gestão autárquica, mas acompanhado de uma equipa normal, talvez até aquém do seu nível.

Júlio Barroso, que deu ao CLNET a honra de ser o primeiro órgão de comunicação social a recebê-lo, mostrou-se uma pessoa com enormes capacidades de liderar, apesar de ainda não apresentar um projeto consistente para gerir os destinos da autarquia.

Entre eleições, comícios e promessas, julgo que quem vai realmente ganhar é o povo de Lagos. Se esta for uma luta de titãs, ninguém pode negar que se colocam à partida dois homens com estofo para vencer. Terão de prometer e apresentar projetos, e terão de os realizar: um porque já prometeu e nem tudo cumpriu; o outro porque carrega o fardo da má oposição que o PS protagonizou nos últimos dois mandatos de JV.

José Valentim inicia a corrida como virtual campeão. Ninguém nega que fez obra e já tem na rua a sua pré-campanha, com anúncios de obra feita e por fazer. Júlio Barroso, apesar das críticas de que deveria ser mais agressivo e encetar uma campanha destrutiva, faz aquilo que um homem inteligente deve fazer: apalpa o terreno e só depois de conhecer bem o trilho se aventura. Tem ainda o benefício de se candidatar apoiado pelas altas esferas do Partido Socialista, que, segundo as más línguas da cidade, já começaram a dar-lhe uma mãozinha em pré-campanha. Refiro-me à interdição da Praia do Cais da Solaria, a única interditada no Algarve, quando todos sabemos haver outras em pior estado — mas em autarquias cuja cor não é laranja.

As razões que me levam a pensar que todos vamos ganhar com estas eleições são claras: vão colocar-se no campo político lacobrigense duas forças com reais capacidades de gerir a cidade e de a conduzir ao porto que todos queremos atingir — qualidade de vida, bem-estar social, boa condição financeira da autarquia, equipamentos sociais condignos e um destino turístico que não entre em conflito com os residentes.

Nas conversas que tive com os candidatos, Júlio Barroso mostrou-se francamente interessado nos problemas da juventude e na falta de incentivos à sua fixação na cidade, tanto ao nível da formação como da pós-formação. Quer isto dizer que, a ser ele futuro Presidente da Câmara de Lagos, os jovens terão um líder atento às suas necessidades e ansiedades. Neste campo, José Valentim terá de apresentar algo muito mediático para contrapor às razões que levarão os jovens para o lado de JB. Mas, pelos projetos que se avizinham — com uma ampla estrutura de apoio ao lazer e às atividades lúdicas que se propõe realizar — não está parado. Vai trabalhar.

Assim, desta vez ninguém pode prometer e não realizar. A ver vamos.

António Guimarães