O PS de Lagos, cada vez mais desconcertante
2001
25 de Julho de 2001
Carlos Matos fez chegar às redações um comunicado anunciando mais um extraordinário feito do governo que defende: mais um troço da A2, autoestrada que segundo ele “vem para o Algarve”. Permito-me transcrever esta parte do texto: “Vai ser aberto ao público no próximo dia 25 de Julho mais um troço de 60 km da autoestrada para o Algarve, entre Grândola e Ourique...”.
Espanta que nem para um algarvio a autoestrada seja para Lisboa. Enfim, lá temos que nos habituar a andar na autoestrada para o Algarve. É, na realidade, a autoestrada que os portugueses vão usar para chegar ao Algarve. Mas será que alguma vez os políticos algarvios tiveram a perceção de que a autoestrada era fundamental para o desenvolvimento da região, em termos económicos e não só, e que a dita autoestrada é também do Algarve para fora?
Claro que o interesse deste tipo de terminologia pouco importa, mas para mim é sintomático para avaliar o que pensam realmente os políticos algarvios. “Ao contrário do que alguns querem fazer crer, o Governo do PS continua a satisfazer os seus compromissos”, diz-se no comunicado. Carlos Matos defende a sua Dama, e claro que só lhe fica bem — outra coisa não seria de esperar. Mas não será que se está cada vez mais a isolar e a afastar de uma certa tendência que já critica abertamente o “desgoverno”? E olhe que não é só a área intelectual com Carrilho à cabeça, já é mesmo o político comum.
Permito-me recordar a Carlos Matos que este troço agora inaugurado já o deveria ter sido há muito tempo. A ter como efetivas certas promessas que um político (Cravinho) fez ao povo algarvio — era então Deputado, quando acompanhou uma visita do Presidente da República ao Algarve — para já não falar de Jorge Coelho no ano passado. De promessas estamos nós cheios; concretizações só mesmo a conta-gotas. Sendo assim, dispenso as apologias desconcertantes do Sr. Professor.
26 de Julho de 2001
Na continuação, e por não julgar bonito dar o dito por não dito, acrescento estas linhas à laia de recado a Carlos Matos. Realmente, na altura da promessa de Cravinho, não era Deputado, era Ministro.
Em matéria de ligações Algarve/Lisboa, gostaria de recordar ao Sr. Professor Carlos Matos certas promessas de António Guterres aos algarvios: as obras seriam retomadas na A2, mas no sentido inverso ao que se verifica agora. Isto é, as ligações para Lisboa eram mais importantes para a economia da região. Mas a memória é curta, principalmente quando é necessário esconder o que não interessa. Quando se pretende esconder algo, melhor é que não se diga nada.
António Guimarães