A informação não faz mal enquanto for isso mesmo
Maio 2001
Por António Guimarães
Bom, já que a abordagem do assunto começou neste local, não teria lógica que não fosse aqui que ela tivesse continuidade. E como nestas andanças sou uma imberbe criança, vou chamar as coisas e as pessoas pelos nomes.
Diz o meu caro amigo Castelo que em Lagos há projeto e equipa, não havendo mediatização por não ser necessária. Pois, meu caro amigo, era melhor que não houvesse nada. Quanto à mediatização, adiante me explicarei.
Quando afirmo que em Lagos não há projeto, refiro-me evidentemente que podia haver muito mais, não fossem esses projetos estar dependentes de uma só pessoa e das suas capacidades de gestão — invejáveis, admito.
As obras que a autarquia realizou durante este tempo são públicas, acontece que muitas delas são do total desconhecimento de largas faixas da população. Como sabe, excetuando dois jornais locais — um mensal que difunde opinião e pouca notícia, outro muito novo que ainda diz muito pouco (porventura defeito da autarquia que não disponibiliza informação adequada e atempada) — pouco mais há para levar ao cidadão a informação.
A internet surge agora com mais utilizadores que procuram este tipo de informação. Prova disso são as cartas que recebo de alguns cidadãos de Lagos, dizendo exatamente isso: é gerada pouca informação pela autarquia. A gerada por este site e pelos jornais é pouca relativamente a outras. Também é do seu conhecimento que o Boletim Municipal chega a casa do cidadão completamente desatualizado.
Como diria um conceituado jornalista português, atualmente cronista de uma ou duas revistas: nós bebemos a informação que nos dão. E eu digo que temos que a filtrar, não se vá dar o caso de engolirmos alguma coisa menos boa.
Leio nas entrelinhas do seu artigo que supõe haver alguma incompetência por parte do elenco governativo da autarquia. Erro seu, ou talvez não. Se há coisa que aqui tenho defendido é a competência do Sr. Presidente. Já tive oportunidade de afirmar que nunca entendi como o PSD tem a coragem de desperdiçar os valores que José Valentim possui. Apesar de em muitas situações estarmos em completo desacordo e de politicamente estarmos distanciados, não ando desatento. Prova disso é que sei que está desacompanhado e desenvolve o seu trabalho acima das capacidades do normal.
Tenho sido frequentemente acusado de jogar com um pau de dois bicos, de fazer festinhas nas costas de José Valentim enquanto vou espetando uma farpa. Já me aconselharam a abandonar a cidade. Há uma coisa que não farei: dizer o que não penso. E eu penso que JV está desacompanhado. Se temos ainda alguma coisa na cidade, os créditos vão direitos a ele, nunca ao PSD.
Lembre-se dos casos em que até tem que intervir na área técnica, senão científica, para ser um pouco exagerado. E estas não são as funções que se esperam de um Presidente de Câmara.
Quanto aos homens e mulheres do Presidente, são muito apagados. É isso que defendo: deviam sê-lo menos. Não vinha mal ao mundo por isso, embora saibamos que não virá. É neste contexto que lhe relato uma história simples, apesar de ridícula:
Fui ver o espetáculo da Maria João & Laginha, tendo o cuidado de reservar bilhetes com bastante antecedência, não fosse dar-se o caso de esgotarem. Aconteceu com uns amigos ficarem sem bilhetes. Dirigiram-se à bilheteira propondo pagar e ficar de pé ou sentados nas escadas. A empregada respondeu que só seria viável com ordens expressas do Sr. Presidente. Aqui reside a questão: para mim deveria ser a responsável pelo CCL a dar essa autorização. Delegação de poderes. De certeza que não é a disponibilização de bilhetes para espetáculos uma das funções do Presidente de Câmara.
Aliás, esta é a crítica que mais ouço em relação a JV: está desacompanhado. Já aqui tive oportunidade de dizer que não me sinto à altura de criticar nada do que já foi executado por esta governação, excetuando o caso da Meia-Praia. Mas isso são outras histórias que alguém já teve a gentileza de me explicar. E, se reparou, deixei de abordar o assunto.
Relativamente à mediatização, não sejamos modestos: vivemos a era da informação. E essa equipa não vive noutro tempo que não seja o nosso. A informação deve ser dirigida de forma séria e digna. No nosso caso, de modo a que a Câmara não se confunda com José Valentim só e isolado no meio de tantos homens e mulheres. O que, convenhamos, não é lá muito bom para uma cidade.
António Guimarães